Entrevista com Regiz para dia Mundial da Arte [Curadoria de Projetos de Design] #13

Dia Mundial da Arte | Imagem: Acervo pessoal

No dia 15 de abril é comemorado o Dia Mundial da Arte, uma celebração internacional das artes plásticas para incentivar a produção criativa. Em homenagem à data, trouxemos a história de um grande artista independente: Reginaldo Francisco – também conhecido no Instagram como @regiz_art.

A missão do “Regiz Art”

Artista plástico Reginaldo Francisco | Imagem: Acervo pessoal

Reginaldo Francisco tem 37 anos, é pai da Ana Cecília, marido do Cláudio, publicitário, professor do curso técnico em Publicidade na rede Fundação Instituto de Educação de Barueri e artista plástico.

“Gosto de pensar que todo mundo tem uma missão na vida, às vezes a gente só demora a encontrar. Eu encontrei a minha e é falar sobre o povo preto brasileiro em forma de arte, direcionar para a África o tempo inteiro porque nosso país é extremamente negro, mas até o presente momento não se enxerga como tal”, explica.

Aptidão artística

Aptidão está relacionada ao tempo que você dedica a transformação de suas afinidades em realizações. Assim como na história do Regiz, é preciso muita coragem para colocar a ação em prática e saber lidar com o processo de construção na identidade artística.

Artes que emocionam | Imagem: Acervo pessoal

“Ao longo dos últimos anos, mudei muito o direcionamento da minha arte. Antes eu pintava paisagem e tinha em mente que não conseguia pintar rostos. Teve um primeiro quadro que eu arrisquei fazer tendo como referência alguns traços da minha mãe e da minha irmã. Nesse período meu pai veio nos visitar e ficou extremamente mexido ao ver a obra, pois de cara assimilou ao rosto da família. É interessante pensar que o que antes era um bloqueio para mim, se tornou algo muito mais leve”, descreve.

“Meu lado artístico estava adormecido. Até que me casei e meu marido me incentivou muito a pintar quadros novamente. Um dia, estava passando por uma loja de tintas e o cheiro de tinta óleo super me emocionou. Nesse mesmo dia, comprei materiais e, a partir daí, decidi voltar a produzir obras artísticas“, afirma o artista.

Está na pele, nos traços e no DNA

Se construir a partir de uma desconstrução.

Nós vivemos em uma sociedade altamente racista. Essa discriminação está enraizada na nossa cultura desde os antepassados com a dominação da África e escravização dos negros. Esse processo é definido por racismo estrutural, uma formalização de práticas institucionais, históricas e interpessoais que dividem quem são os privilegiados e quem são os marginalizados. Esse significado aborda os ideais do autor Sílvio Almeida, um filósofo contemporâneo que o Regiz traz como inspiração para sua arte. “Algo que muitos ativistas que tenho como referência falam é que a gente vai se descobrindo como negro”, ressalta.

É importante destacar que nem sempre tivemos o tema em pauta. “Nasci na década de 80 e não tinha nenhum referencial na TV que fizesse as crianças negras se fortalecerem. Então nós não crescíamos nos reconhecendo“, justifica o artista. Mas o cenário mudou. “A partir da faculdade comecei a me reconhecer como negro por influência de colegas que participavam de movimentos e passei a me questionar ‘porque é feio? porque não pode? Essa é a minha etnia!’“, relembra.

A aceitação do seu trabalho é discutida pelo público ainda hoje. “A partir do meu terceiro quadro percebi que só tinha pintado pessoas pretas e, de forma extremamente natural, decidi me dedicar a cultura afro e contar a história do preto brasileiro. Mas foi com meu quarto ou quinto quadro que senti um incômodo de algumas pessoas que me questionavam se eu só pintava negros. Essa inquietação permanece ainda nos dias atuais”, conta.

O orgulho de ser preto | Imagem: Acervo pessoal

Sua arte é uma forma de combate ao preconceito declarado. “A sociedade é racista. A sociedade entende que tem diferença. A sociedade me barra em alguns lugares, pede meu documento e manda eu descer do carro porque diz que o automóvel não é meu por eu ser preto“, revela.

“Se a sociedade ainda é racista, eu tenho que falar sobre isso, eu tenho que fazer denúncias sobre isso e eu tenho que louvar e trazer autoestima para um povo que é tão fragilizado“, declara o artista.

Gente de (COR)agem

A arte do Regiz carrega um peso histórico muito forte. “Meu pai é mecânico e prestava serviços para pessoas de um condomínio. Teve o aniversário do filho de um desses clientes e fui convidado para ir. Na festinha, eu era o único negro e as pessoas olhavam de canto. Ao longe ouvi um comentário questionando quem era aquele menino de cor – antigamente, as pessoas acreditavam que essa expressão era menos discriminatória. Isso ficou gravado na minha mente e, agora já experiente, ressignifiquei para dar nome ao meu projeto artístico“, revela.

Todas as obras têm como base uma pesquisa prévia sobre ancestralidade, o que acabou se tornando uma marca registrada. “Fiz um estudo sobre as pinturas corporais de algumas etnias africanas, sendo que parte delas continuam com a prática até hoje. São desenhos diversos que representam força, tradição e luta“, diz.

A identificação dos sinais é clara. “As linhas ancestrais sempre estarão presentes no fundo, no cabelo ou na pele”, ressalta o artista ao exaltar a pluralidade de suas obras.

Afronte o preconceito | Imagem: Acervo pessoal

Se você – assim como nós – também se emocionou com a história do Reginaldo, acesse o perfil do Regiz Art no Instagram para acompanhar seu trabalho de perto ou até mesmo adquirir uma obra exclusiva!

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Maryene Oliveira

Apaixonada pelo mundo da comunicação, uma futura radialista movida por dança, literatura, desafios e ideias mirabolantes.
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