‘The Economist’ explica por que o cartão de visita prospera na era eletrônica

Os detalhes podem variar: enquanto americanos ‘jogam’ o cartão de visita casualmente sobre a mesa, os japoneses fazem a troca de forma tão elaborada como uma cerimônia de chá. Alguns são discretos, outros abarrotados de informações – como o do magnata chinês Guangbiao Chen, que comporta seus mais diversos títulos: “Herói de resgate de terremoto na China “, “O maior filantropo proeminente da China”, “Acima de tudo, especialista em demolição com preservação ambiental da China” e para que não deixar dúvidas, “A pessoa mais influente da China”.

Cartão de visita do magnata chinês Guangbiao Chen

Os cartões têm sido utilizados a um longo tempo, com diversas funções. Os chineses inventaram os cartões telefônicos no século XV e entregavam às pessoas que tinham a intenção de visitar. Comerciantes europeus criaram os cartões de comércio no século XVII, para serem utilizados como pequenos anúncios.

Esses impressos também podem provocar fortes emoções. Nada provoca mais discussão em uma reunião do conselho do que um layout de cartões de visita, diz um diretor veterano. No romance de Bret Easton Ellis, “American Psycho”, o anti-herói do assassino em série tenta impressionar alguns colegas, mestres do universo, com o seu novo cartão de visita. Ele fica cabisbaixo quando todos sacam seus cartões igualmente extravagantes e fica horrorizado ao ver o cartão de um colega ausente, em um papel mais grosso e com marca d’água.

Muitas empresas tentam transformar os seus cartões em plugs em miniatura para os seus produtos. Os funcionários da Lego entregam figuras de plástico em miniatura, com seus detalhes de contato carimbados. No McDonald, os cartões de visita são em forma de uma porção de batatas fritas. Bon Vivant, um queijeiro brasileiro, usa um ralador de queijo em miniatura como cartão. Um advogado de divórcio canadense criou cartões que podem ser destacados, em duas partes, uma para cada um dos cônjuges.

Modelos diferentes de cartão de visita

Afinal, por que se preocupar em trocar pedaços grossos de papel quando você pode simplesmente adicionar um contato em sua agenda do celular ou qualquer outro aparelho eletrônico?

Os cartões de visita vieram para ficar. Com o grande número de reuniões e correspondências, é mais importante do que nunca que o seu cartão se destaque no mundo corporativo, já que as tentativas de reinventa-los para a era digital têm lugar garantido. Mesmo com a mais moderna tecnologia de reuniões do Vale do Silício, as pessoas ainda se cumprimentam com a distribuição de pequenos retângulos feitos de árvores mortas: o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, que inicialmente tinha um cartão impresso com “I’m CEO, bitch”, agora distribui uma versão adulta e sensata.

Cartão de visita do fundador do Facebook, Mark Zuckerberg

O fato de os cartões de visita prosperarem na era digital é uma prova de este é um impresso atemporal. É importante lembrar que boa parte da vida empresarial está relacionada à construção de laços sociais como jantares, pratica de esportes.

O rápido avanço da globalização e virtualização pedem com que este processo de construção de confiança torne-se cada vez mais exigente, forçando os gestores a reforçarem laços que se formaram primeiro por telefone ou internet.

Eles podem ser uma maneira rápida de estabelecer conexões, particularmente na Ásia, onde são uma espécie de obsessão. Os chineses estão seguindo os japoneses em tratá-los como objetos semi-sagrados e alguns empresários distribuem cartões em ouro de 24 quilates. Crianças de em fase escolar, os carregam com seus próprios dados de contato, além de informações de contato dos seus pais e até avós.

Cartões também pode atuar como um lembrete físico de que você encontrou alguém e ajudam a lembrar de reuniões e encontros. Eles podem até mesmo levantar um sorriso: David Cheesewright, o chefe da divisão internacional do Walmart, distribui cartões impressos em papel reciclado e substitui seu nome pelo apelido “Dave”, uma tentativa de convencer as pessoas de que o Walmart é como uma amigável loja de bairro.

Cartão de visita de David Cheesewright, do Wallmart

Você não sabe quem eu sou?

Esses impressos também são a prova de que o princípio hierárquico ainda é importante. Gurus da administração como Gary Hamel, da London Business School, apontam as virtudes de estruturas de gestão mais planas, mas cartões de visita contam uma história diferente: o cargo é parte essencial do trabalho e da identidade das pessoas. O cartão de visita de David Cheesewright, por exemplo, não deixa dúvidas sobre a sua importância.

A troca de cartões de visita não é apenas uma maneira de iniciar uma conversa, é uma forma de inserir as pessoas na hierarquia, sem constrangimentos.

O mundo dos negócios está obcecado com a noção de inovação, mas algumas coisas não precisam ser inovadas e a troca de cartões de visita ainda parece ser uma excelente maneira de iniciar um relacionamento duradouro. A troca ritual de retângulos de papel pode ser antigo, mas ainda muito utilizado.

Este artigo é uma tradução da publicação do The Economist – Why the business card is thriving in the electronic age.





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