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Entrevista com Bianca Foratori [Curadoria de Projetos de Design] #10

“Estou sempre envolvida em 50 projetos ao mesmo tempo, não sou feliz de outra forma”. Assim Bianca Foratori descreve sua vida como artista visual, tatuadora e empreendedora.

A jovem de Jundiaí (interior de São Paulo), que hoje vive na capital paulista, conta que seu interesse por arte começou já na infância. “Desenhar era minha brincadeira preferida, estava sempre com um papel e um lápis na mão registrando tudo. Eu comprava revistinhas de pintura vendidas nas bancas, que ensinavam a pintar uma paisagem passo a passo, e ficava treinando”.

Artista visual e tatuadora Bianca Foratori
Artista visual e tatuadora Bianca Foratori | Imagem: Arquivo pessoal

Carreira

Formada em Moda, a princípio Bianca trabalhou o desenho dentro desse enfoque, com design de estampas, desenho de croqui, ilustração de moda, etc. Só quando mudou de profissão e passou a ser tatuadora, passou a praticar desenho diariamente, “mas sentia que faltava alguma coisa, então voltei a pintar como hobby, pra me expressar em outros suportes que permitissem tentar coisas diferentes, e acabei gostando muito do processo e do resultado”, relata. Nascia uma artista visual cada vez mais versátil.

Sobre seu trabalho com artista plástica e ao mesmo tempo tatuadora, Bianca explica que não há uma divisão clara porque, no fim do dia, tudo sai dela e as inspirações vêm do mesmo lugar.

quadro de Bianca Foratori
Print de ilustração | Imagem: Arquivo pessoal

“Quando comecei a pintar, isso ajudou muito a me desenvolver como tatuadora, a criar um trabalho autoral nessa área, e vice versa. Às vezes eu faço um design de tattoo, e depois volto e trabalho em cima dele na pintura, na colagem, pra ver onde consigo chegar com isso sem as limitações específicas da aplicação no corpo. Então acredito que, nesse sentido de processo criativo, as duas coisas se retroalimentam. A maior diferença é mesmo a finalidade”, declara.

“A tattoo é uma atividade mais comercial, é feita pra ir no corpo de outra pessoa, então existe um grau de interferência externa na criação, o que é bom porque me desafia a sair da minha zona de conforto muitas vezes”, explica.

Além disso, entra mais na questão de empreendedorismo porque tenho que administrar um espaço, um serviço, e a parte criativa acaba sendo só uma parte pequena do todo. Já na arte, há um ambiente mais livre pra fluir a criação, com responsabilidades e regras sim, mas bem mais orgânico”, complementa.

Tela de Bianca Foratori
Tela de Bianca Foratori | Imagem: Arquivo pessoal

Para publicar seu trabalho, começou apostando nas redes sociais, onde pessoas conhecidas começaram a ver o que ela produzia. Com o tempo, as publicações passaram a atingir outros alvos. “Surgiram convites pra participar de exposições, depois surgiram encomendas de telas, pinturas de murais”, conta. Sem medo da novidade, Bianca se entregou às encomendas. “Quando percebi, os trabalhos com artes visuais já estavam ocupando um bom espaço na minha rotina”, relata.

Inspiração na mulher e representatividade

“Comecei a pintar por uma necessidade, porque eu tinha algo dentro de mim que precisava pôr pra fora, mesmo que ninguém visse”, revela a artista. “Acredito que se expressar seja uma necessidade do artista, independente de qualquer coisa, então essa era a motivação principal, precisava externar essas imagens que estavam na minha mente”.

“Conforme fui olhando pra essas pinturas e analisando, eu notei que as mulheres que eu pintava se pareciam comigo de alguma maneira, em algum traço, ou na cor da pele, enfim. E aí me ocorreu que eu estava criando representações positivas de mim e de pessoas como eu”, diz sobre suas obras.

Cada vez mais vemos o quanto isso é poderoso e importante para sociedade. “Eu pinto o que eu quero realçar no mundo. O Brasil é um país de maioria não-branca, mas nós sabemos que essa parcela da população é muito sub representada na mídia, nos meios de comunicação. Eu cresci com poucas referências que se parecessem comigo, que me ajudassem a ter autoestima, então inconscientemente eu passei a criar minhas próprias referências de beleza, de poder, de valores”, completa.

Mãos talentosas

Como já disse, Bianca precisa sempre estar ativa. Dessa forma, ela absorve muitos estímulos, o que acaba culminando em novos formatos e ferramentas. “Às vezes vejo uma exposição, uma obra de outro artista, ou uma foto na internet, e aquilo desperta uma vontade em mim de experimentar à minha maneira”, diz.

Se existe uma aptidão natural pra determinadas atividades, a da Bianca é para atividades manuais e tudo o que for visual, mas o estudo é essencial. “Além do estudo técnico, o estudo de si. Do tema que você quer abordar, buscar se expressar com verdade, acho que isso é mais importante do que qualquer coisa”.

E acrescenta: “pessoalmente, não sou uma artista extremamente preocupada com a parte técnica, encontro várias ‘falhas’ nos meus trabalhos. Minha prioridade é a mensagem, a expressão do que eu sinto”. 

Preço x Valor

Muita gente tem o sonho de trilhar o mesmo caminho da arte. E para isso, Bianca tem muitas dicas. “Primeiro, precisa saber que esse meio é extremamente disputado. São poucas oportunidades, pouco incentivo, pra muita gente boa. Então é essencial que você se profissionalize, que estude bastante, se aprimore, identifique e explore as suas potencialidades”, garante.

Quadro de Bianca Foratori| Imagem: Arquivo pessoal

“As pessoas só pagam por aquilo que enxergam valor. Se você focar no público errado, talvez não seja valorizado e você fique com a impressão de que não é bom o suficiente. Então, se você está se dedicando e fazendo sua parte, o segundo passo é você identificar quem são as pessoas que são tocadas pelo seu trabalho, que estariam dispostas a pagar por ele, e encontrar a melhor maneira e lugar de se comunicar com elas”, afirma.

“O artista independente precisa ter um pouco de empreendedor. Afinal, você não vai conseguir ir adiante se os seus ganhos não compensarem todos os seus custos e sua mão de obra, por exemplo”.

“A gente faz muito disso… Não cobra corretamente, sente vergonha. Nesse exato momento você poderia estar trabalhando com outra coisa e sendo remunerado, então cobre sem medo, é um trabalho como qualquer outro. Converse com outros artistas, faça contatos, procure entender o mercado, aproveite todas as chances justas de expor seu trabalho, divulgue, porque quanto maior o seu alcance maior a probabilidade de conseguir novas oportunidades. E, por fim, seja o primeiro a acreditar e valorizar o que você faz”, sinaliza. 

Histórico com a Printi

É extremamente importante ter um bom material impresso na área dos trabalhos visuais – afinal, trabalha-se com imagens. “Se você não tiver um material impresso de qualidade, todo o seu trabalho foi desperdiçado, porque não transmitirá com fidelidade aquilo que ele de fato é”, afirma.

“Seleciono e transformo algumas das artes em produtos que são vendidos na minha loja virtual. Atualmente trabalho com prints e ecobags, mas pretendo aumentar a variedade. Por isso, claro, ela já conhecia a nossa gráfica online. “Meus cartões de visita e alguns folders foram feitos com a Printi”, finaliza.

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