Design

Entrevista com Breno Loeser [Curadoria de Projetos de Design] #19

Arte “Minha mãe” de Breno Loeser | Imagem: Acervo pessoal

O que acontece quando a arte se torna uma fonte de trabalho? No Printi Indica de especial do Mês do Empreendedor você vai conhecer a história do artista e designer gráfico Breno Loeser, que começou sua trajetória aos 15 anos editando imagens em lan houses e hoje é dono do próprio negócio.

Aracajuano, Breno tem 27 anos, é formado em Design Gráfico pela UFS e hoje faz mestrado em Ciências da Religião. Atualmente, trabalha como designer do grupo de moda Soma, atendendo no setor de Estilo da Farm Rio, e também coordena, junto com a irmã Brenda, seu próprio e-commerce voltado para comercialização de arte com temáticas afrocentradas. Quando sobra um tempinho, pega alguns trabalhos externos, mas agora é um pouco mais difícil devido a rotina intensa. E também é um dos líderes do Centro Cultural Erukerê, um espaço cultural e casa de culto a orixá localizada na cidade onde mora.

Breno Loeser | Imagem: Acervo pessoal

Printi: Como é sua relação com a arte? Desde quando ela é ativa na sua vida?

Breno Loeser: A arte está presente em minha vida desde a infância. Desde criança eu tenho um vínculo especial por me expressar visualmente através de desenhos, pinturas, formas com massa de modelar e às vezes com a escrita, através de histórias de fantasia. Também devo essa influência a minha mãe, Jandira, que é artesã e por muitos anos trabalhou com porcelana fria. Essa busca e curiosidade artística que veio do berço alcançou a fase adulta e também foi responsável por me ajudar a dialogar com o mundo ao meu redor.

Itans | Imagem: Acervo pessoal

P: Qual foi o estopim para você se encantar por design?

BL: Acredito que a vontade de externalizar ideias e coisas que estavam na minha cabeça haha. Como só fui ter computador por volta dos 15 anos, lembro claramente bem antes disso, gastando horas em lan houses ou na casa de minha tia editando fotos ou criando cartazes fictícios de minhas histórias de fantasia. No fim, esse ânimo e muita ansiedade para por pra fora projetos e ideias foi o que me levou naturalmente ao caminho do design gráfico.

P: O que o design representa para você?

BL: Possibilidades e caminhos. O Design tem um papel importantíssimo para fazer vozes e discursos políticos alcançarem mais pessoas, assim como nos oferece meios de tornar mais simples e ergonômico entender o mundo e tudo o que podemos criar. Embora o Design tenha um berço europeu e um viés extremamente econômico, aqui no Brasil ele ganhou outros contornos e vozes, trazendo possibilidades de (re)existências de comunidades e pessoas que são marginalizadas.

P: Com tanta representatividade, o que te inspira?

BL: Cultuar e vivenciar aquilo que trazem as divindades yorubá que chamamos de Orixá é minha maior fonte de inspiração, portanto minha vivência e busca constante por aprendizado também tem um reflexo em meu trabalho, que nunca é o mesmo, sempre está em processo de construção. Também sou rodeado de artistas incríveis e talentosos como André Hora, Bianca Tourinho, Draco Imagem, Stephen Hamilton, Africa Fanlo e muitos outros, como o clássico mestre Carybé.

P: Qual a mensagem por trás da sua arte?

BL: Nossos deuses são vivos, são lindos, são ricos e carregam consigo milhares de ensinamentos que muito nos fazem falta dentro das sociedades ditas “avançadas”. Minha arte é feita para celebrar essas divindades que por muito tempo tiveram suas cores e origens apagadas do imaginário comum em decorrência de processos sincréticos e do próprio racismo religioso. Nossas divindades podem habitar diferentes corpos e usarem diferentes roupas, mas não podemos esquecer suas origens e como eles chegaram em nossa terra.

P: Afinal, como é a vida de artista?

BL: Uma loucura haha! A gente não para nunca, a cabeça está sempre maquinando algo. Acho que a maior dificuldade é equilibrar os diversos setores da vida e ao mesmo tempo manter o que chamo de “chama artística”, que é a vontade de criar e construir, viva e forte.

P: Quando a arte se tornou de fato um trabalho? Como foi esse processo?

BL: Foi um processo que aconteceu naturalmente e aí um hobby foi aos poucos se tornando um trabalho. Lembro que um marco disso foi quando participei de um Desafio Inktober em outubro de 2019, onde desenhamos um orixá ou animal correspondente por dia durante o mês de Outubro. Após esse desafio, meu perfil foi notado por mais pessoas e eu entendi que poderia seguir fazendo algo que eu gostava. Pouco tempo depois comecei a comercializar as obras e com alguns meses precisei que minha irmã trabalhasse comigo para dar suporte.

P: Quando você passou a atuar no meio 4 Business e por quê?

BL: Tudo começou há mais ou menos 1 ano, com a necessidade de organizar mais os processos e tornar de fato a lojinha em uma empresa. Percebi que se não me organizasse a loja não iria muito a frente, minha irmã e sócia foi fundamental nesse processo de transição.

P: O que esse modelo trouxe de vantagem para o seu negócio?

BL: Pudemos sair do aspecto da informalidade e crescer como empresa, entendendo melhor os processos e demandas, assim como traçar metas factíveis e investir em melhorias de produtos e ampliação de nosso catálogo.

Conheça ainda mais obras do Breno pelo @brenoloeser, Instagram do artista, ou acesse a loja por www.brenoloeser.com.

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Maryene Oliveira

Apaixonada pelo mundo da comunicação, uma futura radialista movida por dança, literatura, desafios e ideias mirabolantes.
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