Design

Entrevista com Fernando Nas [Curadoria de Projetos de Design] #18

Insensatez | Imagem: Acervo pessoal

Fernando Nas é artista por vocação e curiosidade. Nasceu em Osasco, e hoje com 35 anos vive em São Paulo. Filho de pai metalúrgico e mãe do lar, o mais velho entre duas irmãs, divide o tempo entre o trabalho como Diretor de Criação na agência RISE e produções como Artista Visual. Formado em Design Gráfico e Processos Fotográficos, mas autodidata por necessidade, busca através de imagens expressar tudo que nele transborda e na busca por equilíbrio, procura uma reconexão entre uma sessão e outra de skate.

Fernando Nas | Imagem: Acervo pessoal

Manifestação artística

A arte liberta a alma e colore os pensamentos.

F. Black

A arte está presente em todo lugar, especialmente em histórias. É uma forma de expressar emoções que amplia a criatividade e, principalmente, a visão de mundo. “Minha relação com a arte se deu desde a infância por gostar muito de desenho e pela necessidade de criar narrativas diferentes das que eu vivia, ampliar meus horizontes num exercício de imaginação. Mas só consegui tangibilizar essa sensação depois de começar a andar de skate por volta de 1997/ 1998. Vivenciar mais as ruas me trouxe outras perspectivas, e ter contato com todos os tipos de estímulos visuais deixou meu repertório imagético bastante amplo”, relata. “Nesse mesmo período comecei a fazer Grafite e desde então experimentei diversos suportes e materiais, até assumir as produções Digitais, que passou a ser uma das principais ferramentas hoje”, complementa.

Fogo nos racistas | Imagem: Acervo pessoal

Já imerso no universo artístico, o Fernando se reconheceu como protagonista da própria história e hoje explora as diversas formas de se conectar. “Atualmente voltei a estudar Pintura Óleo e tenho encontrado uma maneira de produzir que acompanha melhor o meu ritmo, com mais calma e respeitando os processos, é um exercício para lidar com as expectativas e frustrações que acho muito bonito, além disso é um dos poucos momentos no qual consigo ficar realmente presente e conectado comigo“, diz o artista.

A arte de ilustrar

Insensível | Imagem: Acervo pessoal

O ato de ilustrar é um processo que se distancia da realidade ao mesmo tempo que a coloca em uma moldura, e por isso é associado a transformações como um meio de expor o que se passa no próprio interior. “Me encantei pela ilustração quando enxerguei a possibilidade de criar um mundo que não cabe na nossa realidade. E percebi que essa projeção acaba me dando ferramentas para de fato mudar alguma coisa“, justifica Fernando. “Ela representa uma maneira de expressar virtuosidade. Mostrar como interpreto a vida, qual a direção que meu coração aponta. Ajuda na compreensão do meio em que vivo e acolher o que sinto”, conclui.

Autoconhecimento

Além do que se vê | Imagem: Acervo pessoal

Dentre as incontáveis transformações que a arte pode ocasionar, voltar o olhar para o seu “eu” é uma das maiores. “Talvez seja um convite a olhar para si, autoconhecimento, só assim pra reconhecer suas virtudes, suas limitações. A gente é saturado de informação e estímulos o tempo todo, e às vezes é preciso fechar os olhos e ouvidos e consumir um pouco de você mesmo. Ter consciência de quem a gente é e o impacto que tem nos outros e na sociedade“, conta.

Sendo assim, a identidade própria vai tomando seu devido lugar em cada obra. “Questões raciais é o que vivo na pele, literalmente. Como atualmente minha base de estudos e pesquisa são minhas vivências seria impossível abordar qualquer questão que antes não passe por esse viés”, comenta. “Minhas inspirações hoje são muito mais internas do que externas, o que produzo normalmente são respostas as minhas inquietações, é um mergulho em camadas muito profundas de mim mesmo, revisitando minha origem, formação familiar, infância, relações, minhas vivências, refletindo sobre como os estímulos que recebo ressoam dentro de mim”, continua, reafirmando suas bases.

Artista

Saudade do samba | Imagem: Acervo pessoal

Artista tem uma forma única de viver e da leitura que faz da vida, diferentes pontos de vista são sempre muito ricos para troca de experiências e claro que aumenta as possibilidade no processo de criação. Mas não precisa ser artista pra inspirar e influenciar pessoas em seu processo. Me encanto com o cuidado e dedicação que a pessoa coloca no que faz, seja para fazer um mural, preparar uma aula ou até mesmo no preparo de um pão na chapa, saca?

Acompanhe o trabalho do Fernando pelo Instagram e se encante ainda mais pelas ilustrações. Ah! Conheça também a galeria de arte colaborativa e garanta sua arte.

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Maryene Oliveira

Apaixonada pelo mundo da comunicação, uma futura radialista movida por dança, literatura, desafios e ideias mirabolantes.
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