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Entrevista com Celina Tanaka [Curadoria de Projetos de Design] #22

Insegurança | Imagem: Acervo pessoal

Celina Tanaka, 24 anos, nasceu no Japão e foi naturalizada brasileira. Graduada em Psicologia e mestranda em Psicologia Experimental, atualmente, além de pesquisadora, atua como Psicóloga Clínica e, claro, é a artista por trás da página @encobertos. 💙

Celina Tanaka | Imagem: Acervo pessoal

Encobertos

Aproveitar cada passo | Imagem: Acervo pessoal

Na abordagem da Análise do Comportamento, na qual a Celina embasa sua prática profissional, o chamado ‘comportamento encoberto’ seria aquilo que não é visível para o outro, aquilo que pensamos. “No caso, eu sempre achei que mantinha muitos ‘comportamentos encobertos’ e pouco expunha eles. Com a página, decidi que queria tornar esses ‘encobertos’ ‘descobertos’, ou seja, deixar que as pessoas vissem minhas ideias e não ter medo de torna-las públicas. E que não fossem só as minhas, mas que as pessoas pudessem se identificar e ‘descobrirem’ as delas também”, afirma a psicóloga.

Sendo assim, o perfil foi ao ar em outubro de 2020, num período em que a autora estava participando de um grupo que se reunia remotamente para conversar sobre o livro O Caminho do Artista, de Julia Cameron. “Naquele período eu estava fazendo várias atividades artísticas, estava escrevendo muito e queria que aquilo seguisse para além do livro. Tinha meio desenhado na minha cabeça como eu queria seguir criando e compartilhando minhas ideias com as pessoas (fotografando, usando recortes de papel e máquina de escrever – que eu peguei emprestada do meu pai)”, diz.

A ponto de transbordar | Imagem: Acervo pessoal

De início, ela achou que ficaria somente entre amigos, mas a internet é muito potente e acabou levando sua arte para outras pessoas. “Eu sempre escrevi sobre reflexões que tinha sobre acontecimentos do dia a dia, tentando utilizar dos meus conhecimentos que obtive com a Psicologia e transformar em uma linguagem acessível, que toca de alguma forma. Fiquei um ano sem mostrar muito quem eu sou e o que eu fazia, mas depois fui percebendo – com a ajuda de pessoas próximas – que eu estava falando sobre Psicologia, só que do meu jeito. Hoje eu acabo compartilhando mais sobre a minha profissão e minhas inspirações, consigo me assumir como artista e psicóloga, algo que antes tentava separar. Espero que o Encobertos siga crescendo e que eu possa fazer projetos para além do Instagram com ele, que eu conheça cada vez mais pessoas”, considera.

E essa construção diária é inspirada por grandes nomes. “Me inspiro em pessoas de diversas áreas, tenho muita admiração por aqueles que esbanjam criatividade, leveza e autenticidade. Por exemplo, a Liniker me inspira muito com as letras de suas músicas, sou apaixonada pela fluidez e as escolhas das palavras dela. Gloria Groove me inspira pela versatilidade e originalidade. Bell Hooks me inspira como pesquisadora e escritora, se um dia eu puder publicar um livro, gostaria de escrever com uma linguagem fácil e embasamento teórico-científico como ela. Fora as pessoas em específico, gosto de citar a palhaçaria. Fui palhaça de hospital durante a graduação, através de um projeto da universidade. Passei pelo processo de me constituir como palhaça e até hoje levo os ensinamentos do improviso, do apontar para o não-óbvio e também para o óbvio, de iluminar algo ou alguém que merece atenção. Acabo colhendo um pouco de cada lugar para construir minha própria forma de expressão”, manifesta.

Psicologia, arte e poesia

Ser meu próprio parâmetro | Imagem: Acervo pessoal

Para a Celina, a arte e a poesia estão presentes nos detalhes do cotidiano. “Gosto de como tudo pode ser transformado em arte, registrado de maneira poética. Vejo que a maior graça é a possibilidade de cada um interpretar a arte de um jeito muito particular, mas também coletivo. É um meio de encontrar pessoas, de se relacionar – tenho conhecido muitas pessoas por meio do Encobertos, o que me deixa extremamente feliz”, garante a psicóloga.

Isso tudo prova que psicologia, arte e poesia tem sim um elo. “Eu amo a Psicologia e a sua ciência e também amo fazer arte. Na graduação em Psicologia, eu sempre escolhi trilhar os caminhos que me permitiam ‘criar’ de certa forma. Participei de projetos que envolviam arte, criatividade e improviso; mas também participei de grupos de estudo e fiz Iniciação Científica. Todas elas me permitiam, de alguma maneira ‘fazer do meu jeito’. Sempre fui uma pessoa que gosta de inovar, juntar pecinhas das diferentes experiências que tive para montar um quebra-cabeça só meu – claro, respeitando a ética da prática em Psicologia”, ressalta. “Creio que tanto a Psicologia quanto a arte me proporcionam isso. Aliás, eu sempre amei metáforas, analogias, construir uma imagem para o que as pessoas falam, ou transformar uma imagem em escrita, acaba sendo uma mistura das duas áreas. É o que eu busco fazer no Encobertos e na minha prática profissional”, admite a criativa.

Regras

O processo de cura também dói | Imagem: Acervo pessoal

Sem dúvidas, uma das coisas que mais chama a atenção ao acessar a página Encobertos, é a criatividade exposta na composição das imagens, sempre alinhadas às frases. Esse processo decorre da tentativa de materializar sentimentos e pensamentos da querida autora e, para isso, ela conta com objetos simples facilmente encontrados. “Por exemplo, usar uma fita métrica para fazer uma analogia entre comparações numéricas com comparações que fazemos entre pessoas. A linha com mais de um nó se torna “nós”, assim por diante. Nem sempre é tão literal, às vezes eu vou montando a imagem com cores, recortes, papéis, com um símbolo que remeta a algum objeto, mas que não seja exatamente aquilo. Vou variando, sem muita regra. Só as frases ou palavras que acabam sendo escritos em máquina de escrever, em um mesmo tipo de papel e recortadas, pois era uma forma de identidade visual que formulei desde o início”, justifica o padrão.

Curtiu essas criações incrivelmente poéticas? Acompanhe muito mais publicações da Celina de perto seguindo @encobertos no Instagram.

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Maryene Oliveira

Apaixonada pelo mundo da comunicação, uma futura radialista movida por dança, literatura, desafios e ideias mirabolantes.
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