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Um breve panorama da história da ilustração

Com o avanço da tecnologia e dos diversos recursos de computação gráfica, não nos faltam opções para criar imagens digitais. No entanto, nem sempre foi assim. Ao longo dessa leitura você vai aprender um pouco mais sobre a história da ilustração.

Houve um tempo, antes do surgimento e da popularização dessas tecnologias, em que toda criação visual precisava ser feita à mão, dependendo unicamente do talento e do domínio da técnica de ilustradores.

A ilustração, porém, não se refere unicamente aos desenhos. Embora o termo seja frequentemente usado para classificá-los, existem diversas outras técnicas que também se enquadram em sua definição, como pinturas, colagens e fotografias.

Saber ilustrar, hoje, pode ser um diferencial para designers. No entanto, também é fundamental conhecer um pouco da história da ilustração. Entender como a técnica evoluiu com o passar dos séculos e saber alguns nomes importantes desse percurso te darão mais embasamento na hora de fazer suas próprias criações.

O início da história da ilustração

As primeiras formas de ilustração surgiram na pré-história, durante o período paleolítico. Acredita-se que as pinturas rupestres tinham caráter religioso e que, por exemplo, serviam como pedido de proteção ou caçada farta.

Pinturas rupestres

A primeira publicação de uma ilustração

Originalmente, a ilustração e a escrita eram tratadas como uma mesma coisa: imagens que tinham algum significado e cujo objetivo era transmitir uma mensagem a outra pessoa.

Os egípcios foram os primeiros a usar ilustrações em manuscritos e acredita-se que a primeira publicação ilustrada da história foi Rev Nu Pert Em Hru (Capítulos do Sair à Luz ou Fórmulas para Voltar à Luz), popularmente conhecido como O Livro dos Mortos. Trata-se de um compilado de procedimentos a serem realizados após a morte, facilitando a entrada do morto na pós-vida.

O Livro dos Mortos

Nessa época, existiam artistas designados somente para a função de ilustrar esses livros — e, dessa forma, surgia a profissão de ilustrador. Nessa época, contudo, eles ainda não eram denominados assim, já que o termo ainda não havia sido inventado.

O surgimento do termo “ilustrador”

Foi na Idade Média, durante a expansão do cristianismo na Europa, que o termo “ilustrador” foi usado pela primeira vez. Os documentos católicos desta época, denominados “Manuscritos Iluminados”, eram ricamente adornados e suas páginas, feitas em folha de ouro, brilhavam.

Assim, surgiu a denominação, com origem no termo Latim illustris (brilhante, distinto): os responsáveis pela confecção do material brilhante.

O aparecimento da impressão e da gravura

No século XV, houve um grande aumento na demanda por livros na Europa. Foi nesse contexto que Guttemberg, por volta de 1450, adaptou uma criação chinesa de 300 a.C. — a xilogravura — e criou a prensa móvel. Com isso, as ilustrações começaram a ser feitas pensando na produção em série e as gravuras se tornaram muito populares.

A Era Vitoriana e a criação da litografia e cromolitografia

No século XIX, a fotogravação de matrizes litográficas e a evolução de métodos oriundos dela permitiu o surgimento de impressões de imagens em cores diversas. A técnica, chamada de cromolitografia, ofereceu maior liberdade de criação aos ilustradores.

O século XX e o aumento da liberdade criativa

A partir dos anos 20, a exploração de novas linguagens visuais pelos movimentos artísticos da época influenciou editores e agências de publicidade a ousarem um pouco mais em suas criações, apesar de ainda se perceber uma predominância do estilo acadêmico nesses trabalhos.

Já com a chegada dos anos 40, durante a expansão comercial pós-guerra, os artistas começaram a romper tradições, trabalhando de formas cada vez mais expressivas.

A ilustração no Brasil

No Brasil, até a chegada do príncipe Dom João, não havia sequer uma tipografia nacional. Todos os materiais impressos eram importados da Europa.

Somente no final do século XIX e início do século XX, livros começam a ser traduzidos para o português “brasileiro” e suas ilustrações, feitas por nomes importantíssimos no cenário brasileiro, como Calixto Cordeiro, Julião Machado e Figueiredo Pimentel.

Já em 1905, surgia a revista Tico-Tico que publicava contos, poesias e histórias em quadrinhos, na qual se destacavam nomes como Angelo Agostini e Max Yantok, entre outros.

Nos anos 60 e 70, a editora Globo lançou obras de autores famosos como Contos de Andersen e Contos de Grimm, com ilustrações de Roswita Bitterlich Winger e Nelson Boeira Faedrich.

Os anos 80 trouxeram grandes ilustradores, como Flávia Savary, Denise Fraifeld, Fernando Azevedo e Gê Orthof, casando perfeitamente com o surgimento de grandes autores da década de 70.

Hoje, não é difícil ver onde a ilustração é utilizada, ainda que com ferramentas distintas do passado e com emprego da tecnologia em sua elaboração — o apelo visual é muito presente em todos os aspectos da nossa vida.

Trabalhar com imagens pode ser uma opção de carreira bastante interessante, especialmente em algumas áreas como, por exemplo, o mercado publicitário. E nesses espaços em que a criatividade é fundamental, conhecer um pouco sobre o percurso das técnicas que usamos faz toda a diferença, trazendo insights sempre interessantes!

E agora que você já conhece a história da ilustração, que tal aprender 8 dicas para quem quer começar a ilustrar e investir nessa incrível carreira?

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Julia Viana

Editora do Blog da Printi, uma jornalista que encarou um novo papel para falar de mundo gráfico e inovação - sem nunca deixar a criatividade e os assuntos mais comentados do momento de lado.
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